Sexta-feira, nas religiões de Axé, é dia de usar roupas brancas em respeito a Oxalá!
Oxalá
é o orixá associado à criação do mundo e da espécie
humana. Apresenta-se de várias maneiras (qualidades) sendo as duas principais
qualidades: a forma jovem, em que Oxalá é chamado de Oxoguiã e seus símbolos são uma idá (espada), um pilão de metal
branco e um escudo. Na sua forma idosa, Oxalá é chamado Oxalufã e seu símbolo é um cajado de metal chamado opaxorô.
Sua
saudação é èpao, èpa bàbá! Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de
todos os orixás do panteão africano. Simboliza a paz, é o pai maior nas nações
das religiões de tradição africana. Oxalá significa luz (oxa) branca
(alá); É calmo, sereno, pacificador; é o criador e, portanto, é respeitado por
todos os orixás e todas as nações. A Oxalá pertencem os olhos que veem tudo.
Lenda de Oxalá:
Um dia Oxalufã, que vivia com seu filho Oxaguiã, velho e curvado por sua idade
avançada, resolveu viajar a Oyó em visita a Xangô, seu outro filho. Foi consultar
um babalaô para saber acerca da viagem. O adivinho recomendou-lhe
não seguir viagem. Ela seria desastrosa e acabaria mal. Mesmo assim, Oxalufã,
por teimosia, resolveu não renunciar à sua decisão. O adivinho
aconselhou-o, então, a levar consigo três panos brancos, limo-da-costa ou
sabão-da-costa, assim como a aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho e
não reclamar de nada, acontecesse o que acontecesse. Seria uma forma de não
perder a vida.
Em sua caminhada, Oxalufã encontrou Exu
três vezes. Três vezes Exu solicitou ajuda ao velho rei para carregar seu
fardo, que acabava derrubando em cima de Oxalufã. Três vezes Oxalufã ajudou
Exu, carregando seus fardos imundos. E, por três vezes, Exu fez Oxalufã sujar-se de sal, azeite de dendê e carvão. Três vezes suportou calado as
armadilhas de Exu. Três vezes foi Oxalufã ao rio mais próximo lavar-se e
trocar suas vestes. Finalmente chegou a Oió. Na entrada da cidade, viu um
cavalo perdido, que ele reconheceu como o cavalo que havia presenteado a Xangô.
Tentou amansar o animal para amarrá-lo e devolvê-lo ao
filho. Mas, neste momento, chegaram alguns súditos do rei à procura do animal
perdido. Viram Oxalufã com o cavalo e pensaram tratar-se do ladrão do animal.
Maltrataram-no e prenderam-no. Ele, sempre calado, deixou-se levar prisioneiro.
Mas, por estar um inocente no cárcere,
em terras do Senhor da Justiça, Oyó viveu por longos sete anos a mais profunda
seca. As mulheres tornaram-se estéreis e muitas doenças assolaram o
reino. Xangô, desesperado, procurou um babalaô, que consultou Ifá, descobrindo que um velho sofria
injustamente como prisioneiro, pagando por um crime que não cometera.
Xangô correu para a prisão. Para seu
espanto, o velho prisioneiro era seu pai Oxalufã. Xangô ordenou que trouxessem água do
rio para lavar o rei. O rei de Oyó mandou seus súditos vestirem-se de branco, e que todos permanecessem em silêncio, pois
era preciso, respeitosamente, pedir perdão a Oxalufã. Xangô vestiu-se também
de branco e encarregou Airá de carregar o velho rei nas
costas. Levou-o para as festas em sua homenagem e todo o povo saudava Oxalá e
Xangô. Depois Oxalufã voltou para casa levado por Airá e, quando chegou seu filho,
Oxaguiã ofereceu um grande banquete em celebração pelo retorno do pai.
.fonte:wikipédia

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